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CORONAVÍRUS: PARA ONDE CAMINHA A ECONOMIA BRASILEIRA — E COMO VAMOS SAIR DESSA Imagem: business-finance , de envatoelements

Economistas costumam usar letras para descrever gráficos com projeções e, no atual momento, estão em dúvida sobre se a mais adequada é V ou U. Quem fala em V acredita que a economia global — e a brasileira junto — vai sofrer uma grande queda e, passado o pior momento da pandemia do novo coronavírus, voltará para perto do estágio em que estava numa velocidade alta. Um segundo grupo defende que a trajetória futura será em forma de U. Uma recaída forte, seguida de um período que pode ser mais curto ou mais longo de estagnação, para, somente mais tarde, voltar a crescer. Independentemente da letra que se escolha, o fato é que todos concordam em um ponto: a economia está engatando para ir ladeira abaixo.

O Brasil tem uma economia fechada na comparação com os maiores PIBs globais. Importamos e exportamos pouco em relação a nosso tamanho. Mas com os principais países e blocos dando marcha à ré, a economia brasileira não teria como ficar imune — mesmo que não tivesse de lidar com os efeitos negativos do novo coronavírus internamente.

Num primeiro momento, economistas brasileiros acreditaram que seríamos pouco afetados, mas a piora nas estimativas foi extremamente rápida. Hoje é dada como praticamente inevitável uma recessão, uma péssima notícia para uma economia que já não vinha entusiasmando. No primeiro ano do mandato de Jair Bolsonaro, o PIB cresceu apenas 1,1%. Para 2020, mesmo antes da pandemia, havia muitas dúvidas sobre se o Planalto pararia de guerrear com o Congresso e aprovaria uma série de reformas importantes para a economia, com a PEC Emergencial e a reforma administrativa. Agora, com o novo coronavírus, as projeções pioraram muito mais.

O banco americano JP Morgan já prevê retração de -1%, praticamente a mesma do banco Goldman Sachs, de -0,9%. No momento, a paralisação da economia brasileira ainda está se aprofundando. Nas dez maiores companhias com capital aberto na Bolsa, home office virou regra para a maioria dos trabalhadores. Fusões e aquisições foram colocadas em banho-maria por, pelo menos, seis meses. Viagens estão limitadas, comércio de rua, shoppings, restaurantes, bares estão sendo obrigados a fechar nas principais cidades. Isso é um baque sem igual no comércio, setor que movimentou no ano passado quase R$ 1 trilhão.

fonte: Época, escrita por Cássia Almeida e Pedro Capetti

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